Dra Nicole Cotrim Godoy

Existe colesterol bom e ruim? Qual é a diferença entre eles? 

Sim. O LDL é a fração ruim porque pode se depositar na parede dos vasos sanguíneos. Já o HDL é o colesterol “bom”, pois tem capacidade de remover o colesterol da parede dos vasos (limpando-os). 

Somente adultos tem colesterol alto? Não!

A aterosclerose (placa de gordura nos vasos sanguíneos) é um processo progressivo, que se inicia desde a infância. Assim, a identificação precoce da DISLIPIDEMIA, associada a mudança no estilo de vida e tratamento medicamentoso em alguns casos, reduz o risco cardiovascular (infarto, AVC, etc.) na vida adulta.

Assim, o acompanhamento com endócrino pediatra é fundamental para orientação, investigação, seguimento e tratamento das dislipidemias.

Então, é necessário fazer exame de COLESTEROL nas crianças?  

Colesterol nas crianças

Esta é uma dúvida muito frequente nos consultórios pediátricos e de endocrinologistas. Muitos, infelizmente, dizem que é necessário fazer exames somente quando há sintomas de doenças, porém assim como a DISLIPIDEMIA (doença com aumento do colesterol) existem outras situações na medicina, em que não existem ou os sintomas são frustros/poucos. Para estas situações, estão indicados exames de triagem/rastreamento, que funcionam para detectar doenças “silenciosas”, ter oportunidade de preveni-las ou tratá-las precocemente e adequadamente.

Mas quando é necessário fazer exame de colesterol nas crianças e adolescentes? 

Colesterol nas crianças - quando é necessário nas crianças
  • Nas Crianças de 2 a 8 anos é necessária a coleta nas seguintes situações abaixo citadas: 
    • histórico pessoal de obesidade, diabetes ou tabagismo passivo
    • histórico familiar desconhecido
    • histórico familiar de colesterol alto
    • histórico familiar de infarto ou AVC em homens menores de 55 anos ou mulheres menores de 65 anos 
  • Nas Crianças de 9 a 11 anos a TRIAGEM É UNIVERSAL, ou seja: todos tem que colher exame de colesterol, independente de fatores pessoais ou familiares. 
  • Nos Adolescentes de 12 a 16 anos é necessária a dosagem de colesterol caso exista um novo fator de risco: 
    • histórico pessoal de obesidade, diabetes ou tabagismo passivo
    • histórico familiar desconhecido
    • histórico familiar de colesterol alto
    • histórico familiar de infarto ou AVC em homens menores de 55 anos ou mulheres menores de 65 anos 
  • Nas Crianças Acima de 17 anos a TRIAGEM também é UNIVERSAL, ou seja: todos tem que colher exame de colesterol, independente de fatores pessoais ou familiares. 

O EXERCÍCIO FÍSICO AJUDA A MELHORAR O COLESTEROL? SIM! 

A prática de atividades físicas como judô, natação, futebol, dança e etc, ajuda a aumentar o colesterol bom (HDL) e reduzir o colesterol ruim (LDL E triglicérides).

E incluir esportes na rotina da família é essencial para melhorar a saúde, peso, colesterol, crescimento e desenvolvimento.

Colesterol nas crianças - importância do esporte e escola

Esporte e escola, ambos têm que ser ROTINA.

Assim como a escola é essencial e faz parte do dia-dia, de maneira inegociável, a prática de exercícios físicos deve estar inserida no dia-dia de todas as crianças e adolescentes (e adultos também).

Esportes com água, com bola, luta ou dança! Para a saúde física, metabólica, psíquica, performance cardíaca, crescimento, postura e socialização, além da melhora do colesterol como acima citado.

Existe remédio para tratar o colesterol alto em crianças e adolescentes? 

Sim, durante o acompanhamento com endocrinologista pediátrico, alguns pacientes, mesmo em baixa idade, necessitarão de medicações para controle da dislipedia, juntamente com melhorias no estilo de vida alimentar e prática de exercícios físicos.

Exemplos de classe de medicamentos usados:  

  • estatinas (Atorvastatina, Rosuvastatina,etc) 
  • resinas ou sequestrantes de acidos biliares 
  • fitoeteróis 
  • fibratos 
  • acidos graxos omega 3 

E lembre-se, leve seus filhos regularmente a um Endócrino Pediatra para acompanhamento! O endocrinologista pediatra ajuda a família e a criança a entender a importância da alimentação para saúde, crescimento e desenvolvimento. Além de investigar e tratar possíveis distúrbios de saúde. 

Referências:

  • Alves C. Endocrinologia Pediátrica. Editora Manole- Barueri, 2019, 1ª ed.
  • Dislipidemia na criança e no adolescente – Orientações para o pediatra Guia Prático de Atualização. Departamento Científico de Endocrinologia, Sociedade Brasileira de Pediatria, Maio 2020.
  • Novas orientações sobre o jejum para a determinação laboratorial do perfil lipídico
  • Guia Prático de Atualização. Departamento Científico de Endocrinologia, Sociedade Brasileira de Pediatria, Julho 2017.
  • Longui CA, Kochi C, Monte O, Calliari LE, Borghi M, Malaquias AC. Endocrinologia Pediátrica: Diagnósticos e conduta apresentados na forma de casos clínicos. Barueri/SP – Editora Manole. 2021.
  • Manual de orientação: obesidade na infância e adolescência, 3ª edição, 2019. Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento de Nutrologia.
  • Manual: Lanches Saudáveis. 2ª edição, 2018. Sociendade Brasileira de Pediatria, Departamento de Nutrologia

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *